
Durante sessão da Câmara Municipal de Senhor do Bonfim, o vereador Jorge Catatu (PODEMOS) apresentou uma proposta voltada à proteção e preservação do patrimônio público, institucional e digital do município.
Segundo o vereador, a ideia é criar mecanismos para garantir que documentos, fotos, vídeos, publicações e outros registros produzidos pelo poder público sejam preservados como parte da história de Senhor do Bonfim, independentemente de quem esteja administrando a Prefeitura.
Ao defender a proposta, Catatu fez críticas à forma como, segundo ele, os arquivos digitais do município vêm sendo mantidos ao longo dos anos. O vereador citou administrações anteriores e a atual gestão, mencionando os ex-prefeitos Carlos Brasileiro, Paulo Machado e Doutor Correia, além do atual prefeito Laércio Júnior.
Catatu chamou atenção principalmente para as redes sociais e plataformas digitais utilizadas pela Prefeitura.
“Pelo menos no YouTube, onde ficam registrados nos canais de terceiros, mas no do próprio município não temos. Aí você vai olhar as mídias do município, o YouTube só tem dois vídeos. Cadê os aniversários da cidade? Isso é memória, isso é história? Cadê o São João? Não. Fica na plataforma de terceiros”, afirmou.
Para o vereador, existe o risco de informações importantes sobre a história do município se perderem com o passar dos anos, principalmente quando vídeos e registros ficam armazenados em páginas pessoais ou canais que não pertencem oficialmente à Prefeitura.
Ele também questionou a ausência de uma estrutura mais completa de comunicação digital institucional, citando plataformas como YouTube, TikTok, Facebook e Instagram.
Na avaliação de Catatu, a proposta também busca impedir que futuros gestores possam simplesmente apagar ou retirar do ar conteúdos produzidos durante uma administração.
O vereador comparou, inclusive, a quantidade de publicações existentes nas redes sociais pessoais do prefeito com as páginas oficiais do município. Segundo ele, a página pessoal do gestor possui mais conteúdo do que os canais institucionais da Prefeitura.
A preocupação apresentada pelo parlamentar é que as redes sociais oficiais sejam tratadas como um verdadeiro arquivo público, e não apenas como ferramenta de divulgação das ações da administração de plantão.
“Essa lei vai servir para impedir que gestores, quando sair do mandato, apague os arquivos”, destacou.
Gasto com comunicação também foi questionado
Durante o pronunciamento, Jorge Catatu também levantou questionamentos sobre os gastos da Prefeitura com a área de comunicação.
Segundo o vereador, o município pretende gastar mais de R$ 200 mil somente com a compra de equipamentos destinados à Assessoria de Comunicação, a Ascom.
Catatu afirmou ainda que, somente no mês de junho, teriam sido contratados serviços de comunicação no valor superior a R$ 50 mil.
O parlamentar também mencionou a existência de um contrato com uma agência de publicidade que, segundo ele, ultrapassaria R$ 1 milhão por ano.
As informações sobre os valores dos contratos e gastos citados pelo vereador podem ser conferidas nos documentos oficiais e no Portal da Transparência do município.
A proposta apresentada por Jorge Catatu coloca em discussão não apenas os gastos com comunicação, mas também uma questão que pode afetar as futuras gerações: como garantir que fotos, vídeos, documentos e registros das ações públicas de hoje continuem disponíveis daqui a 20, 30 ou 40 anos.
A discussão agora deverá avançar no Legislativo, onde a proposta poderá ser analisada e, caso aprovada, estabelecer regras para a preservação do patrimônio digital e institucional de Senhor do Bonfim.
Por Ivan Silva









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