
A fiscalização realizada pelo vereador Jeorge Catatau na Unidade de Saúde da Família (USF) Igara I, no interior do município de Senhor do Bonfim, revelou um quadro alarmante de negligência administrativa e risco iminente à vida da população. A visita, ocorrida nesta quarta-feira (14), expôs falhas graves na gestão da saúde pública que podem resultar em consequências irreversíveis para pacientes, especialmente os portadores de doenças crônicas.
Durante a inspeção na farmácia da unidade, o parlamentar encontrou grande quantidade de medicamentos vencidos, incluindo o Carvedilol, essencial no tratamento de hipertensão arterial e insuficiência cardíaca. No entanto, o fato mais preocupante foi a descoberta de cerca de 30 caixas de insulina com prazo de validade expirado desde julho do ano passado, mantidas na geladeira da farmácia como se estivessem próprias para uso.
A insulina vencida perde sua eficácia terapêutica e não controla adequadamente os níveis de glicose no sangue, o que pode levar pacientes diabéticos a quadros graves de hiperglicemia, cetoacidose diabética, internações de urgência e, em casos extremos, morte. Além disso, o uso de um medicamento fora da validade pode provocar reações adversas imprevisíveis, colocando em risco direto a saúde de quem depende desse tratamento diário para sobreviver.
“Isso não é apenas desorganização, é uma situação extremamente grave. Estamos falando de um medicamento vital. A insulina vencida pode não funcionar e levar o paciente a um colapso de saúde. É inaceitável”, afirmou Catatau.
A fiscalização também constatou equipamentos quebrados e impróprios para uso, como uma maca danificada na área de atendimento, revelando a precarização da estrutura básica da unidade.
No setor odontológico, o cenário foi igualmente revoltante. Instrumentos que possivelmente haviam sido utilizados em atendimentos recentes estavam jogados dentro de uma pia, sem qualquer processo de limpeza, desinfecção ou esterilização. Tal situação representa grave risco de contaminação, especialmente quando o serviço odontológico ocorre apenas duas vezes por semana, exigindo ainda mais rigor nos protocolos de biossegurança.
Durante a visita, pacientes relataram falta de medicamentos para controle da pressão arterial e escassez de vacinas infantis. Uma mãe afirmou estar há cinco dias tentando vacinar o filho, sem sucesso.
“É desumano obrigar mães a peregrinar por vacina enquanto medicamentos vencem dentro dos postos”, criticou o vereador.
Catatau ressaltou que essa não é uma ocorrência isolada. Em fiscalização anterior no Posto de Saúde da localidade de Baraúna, o vereador também encontrou medicamentos vencidos, o que, segundo ele, comprova uma reincidência grave e um possível colapso na gestão dos estoques da saúde municipal.
Diante da gravidade dos fatos, o parlamentar anunciou que irá protocolar denúncias formais junto à Secretaria Municipal de Saúde, Vigilância Sanitária e Ministério Público, cobrando apuração rigorosa e responsabilização dos envolvidos.
“Estamos lidando com vidas. Cada caixa de insulina vencida representa um risco real de morte. A população não pode pagar com a própria saúde pela incompetência administrativa”, concluiu.
Até o momento, a Secretaria de Saúde do Município não elaborou nem divulgou qualquer nota oficial sobre o caso, apesar da gravidade das denúncias e do impacto direto à população.
Por Ivan Silva











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