
Foto: Dep. Júnior Nascimento e Pref. Laércio Júnior
O cenário político em Senhor do Bonfim começa a apresentar sinais claros de desalinhamento interno na base do prefeito Laércio Júnior. A entrevista concedida por ele na última sexta-feira (10), à Rádio Caraíba FM, revelou o incômodo com o que já não é mais segredo nos bastidores: parte dos vereadores aliados ao prefeito está dando apoio a outras candidaturas estaduais, deixando de lado o deputado Junior Nascimento, candidato ligado diretamente ao gestor.
Entre os focos de tensão está o apoio de vereadores importantes, como Weslen Aquino e Babão, ao ex-prefeito de Ponto Novo, Tiago Gilleno (PSD), que tem ganhado força com uma candidatura estadual bem estruturada. Paralelamente, a candidatura independente de Cleito Vieira, ex-presidente da Câmara Municipal, também vem sendo tratada como uma peça importante nesse novo xadrez político que começa a se formar na cidade.
Apesar de ainda integrarem o grupo político do prefeito na Câmara, Weslen e Babão optaram por não apoiar o deputado Junior Nascimento, candidato oficial do grupo, fortalecendo assim o projeto de Tiago Gilleno na região. Essa postura revela um divórcio estratégico em relação às candidaturas estaduais dentro da base do prefeito.
Além disso, Weslen Aquino tem pretensões claras de ser candidato a prefeito nas próximas eleições, mas enfrenta um cenário complicado dentro do próprio grupo. O prefeito Laércio Júnior tem deixado claro que será leal ao vice-prefeito Elizeu Rios (Sucesso), que deve integrar a chapa na próxima disputa. Para compor essa chapa, já são citados os nomes de Idailton Galeguinho, Helson de Carvalho e Ary Urbano, indicando a consolidação de uma aliança política consolidada em torno do atual governo.
Essas movimentações, embora sejam tratadas com cautela, têm gerado ruídos dentro do grupo de Laércio e levantam questionamentos sobre a coerência e fidelidade política da base. O prefeito declarou que ainda não conversou diretamente com os vereadores sobre o tema, mas pretende fazer isso em breve para reforçar a importância da unidade política.
“Se o deputado receber uma votação maior em outras cidades, certamente a prioridade dele não será Senhor do Bonfim. Então, é importante a união do grupo”, alertou o prefeito durante a entrevista.
Divisão que enfraquece — ou reestrutura?
Na prática, essa divisão pode enfraquecer a capacidade de articulação do prefeito nas eleições de 2026 e até comprometer a execução de projetos que dependem de representatividade estadual. Contudo, sob outra ótica, o que parece fragmentação pode ser interpretado como uma reorganização silenciosa da política local.
O fortalecimento de Tiago Gilleno e a candidatura independente de Cleito Vieira sinalizam a possível formação de novos polos de poder no município — mais descentralizados da figura de Laércio e com pretensões próprias para o futuro político de Senhor do Bonfim.
A disputa por espaço, influência e protagonismo é natural na política, mas quando ocorre dentro do mesmo grupo, o risco é de auto-sabotagem. Laércio Júnior, reeleito com base na imagem de gestor técnico e firme, agora enfrenta o desafio de conter a desintegração política do seu entorno, enquanto precisa manter o governo funcionando em meio a esse novo ambiente de incerteza.
2026 já começou
O apoio dado a nomes fora da coordenação direta do prefeito não é apenas um gesto isolado: é um ensaio para 2026. Vereadores e lideranças locais já se movimentam visando espaço, influência e palanque. A soma desses apoios pode, no futuro, se consolidar como uma aliança alternativa, com capital político próprio e potencial para desafiar o atual grupo dominante.
Se Laércio não conseguir recompor a coesão interna, poderá enfrentar dificuldades para manter seu protagonismo — e corre o risco de, em breve, assistir de fora à formação de um novo grupo majoritário com forças que até ontem estavam ao seu lado.
Por Ivan Silva / ivansilvanoticia.com.br/ Foto redes sociais











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