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Emendas parlamentares são usadas para pagar shows de duplas sertanejas

Emendas parlamentares são usadas para pagar shows de duplas sertanejas

Parte das emendas parlamentares impositivas pagas no ano passado pelo presidente Michel Temer (MDB) foi utilizada para pagar cachês de artistas como Wesley Safadão e Bruno & Marrone. As informações foram divulgadas num levantamento do jornal O Estado de S. Paulo. Ao todo, foram pelo menos R$ 5,73 milhões dos R$ 2,27 bilhões liberados em emendas no ano passado utilizados pagar apresentações musicais em festas dos municípios.

O valor liberado por Temer atingiu o maior patamar dos últimos quatro anos, alcançando um montante de R$ 10,7 bilhões, representando um aumento de 48% em relação a 2016. Dos mais de R$ 10 bilhões liberados, foram pagos R$ 2,68 bilhões em 2017.

As emendas são indicações de deputados e senadores de como parte do orçamento previsto da União deve ser gasto, o que costumeiramente faz com que parlamentares privilegiem seus redutos eleitorais. A única área com destinação obrigatória prevista em lei é a da Saúde. Das mais de sete mil emendas individuais pagas, essa foi a área que mais recebeu recursos, com 93,5% (equivalente a R$ 1,36 bilhão) dos R$ 2,68 bilhões executados.

Segundo o levantamento do jornal, no município de Maracanaú (CE), o dinheiro da União foi usado para pagar show do Safadão, que custou R$ 246 mil. A verba de R$ 1,2 milhão foi indicada pela deputada Gorete Pereira (PR-CE) para que fosse repassada à prefeitura pelo Ministério de Turismo. O valor foi usado para custear as despesas com a 13ª edição da Festa de São João, cujo show de abertura foi de Wesley Safadão. Também se apresentaram e foram pagos com o dinheiro da emenda a as duplas Bruno & Marrone (R$ 250 mil) e Victor & Léo (R$ 200 mil) e a banda Aviões do Forró (R$ 180 mil).

O repasse foi anterior à votação da primeira denúncia contra Michel Temer, em 7 de junho. Nessa época, entretanto, a delação da JBS já tinha sido revelada. A deputada, que votou contra o prosseguimento das duas denúncias afirma que a liberação do montante não tem relação com seus votos.

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